Há
tempos não escrevo sobre futebol ou sobre a mídia futebolística,
porém ao ler a peça de campanha do Sr. Rica Perrone contra o
recurso do Vasco me fez momentaneamente voltar a escrever sobre o
assunto. Discorro usando de citações:
“Não
é futebol o tema. No campo, foi 5×1 e não há nenhum argumento
aceitável pra reverter ou contestar isso. Fora dele, sempre
haverá.”
O
dono da verdade, diz que não há qualquer argumento aceitável, ou
seja, ele estabelece ponto de partida da discussão, ele irá limitar
a discussão como lhe convém a fim de demonstrar aquilo que lhe
convém.
O
ponto é que não deveria haver futebol, não existia qualquer
condição de se haver futebol, seja ela segurança e/ou psicológica.
Nenhum ser humano está preparado, ao menos que seja treinado como
mariner americano ou um psicopata, para ver tamanha brutalidade e
estar em sua condição psicológica normal, pelo menos eu não creio
que nos treinos de futebol os jogadores são levados à assistirem
cenas daquele tipo e depois vão para o campo treinar.
As
pessoas em casa, assistindo pela TV estavam nervosas, estavam fora da
normalidade. Durante o jogo os comentários sobre a barbárie foram
mais comuns do que sobre os lances, avalie daí os que presenciaram
tal coisa in loco.
“É
direito do Vasco apelar pro STJD e tentar os pontos do jogo. É
direito do Vasco tentar o que quiser. É dever do STJD tomar uma
decisão baseada no regulamento, o que abre considerável
possibilidade do Vasco permanecer na série A.
Mas
vascaínos, sejamos honestos. Se tivesse sido 2×1 pro Vasco após a
parada, alguém se importaria com segurança no estádio,
regulamentos e etc?
Claro
que não.”
Sou
honesto e lhe respondo com toda tranquilidade, falei durante os 70
minutos que o jogo ficou parado, que não existiam mais condições para o
jogo, ele deveria ter sido encerrado e marcada nova data, ou seja lá o que a regra disser. Continuo sendo
honesto e segurando a minha afirmação que não deveria ter tido
jogo.
Sou
honesto e vascaíno ao ponto de lhe dizer que se o resultado fosse
favorável ao Vasco, ainda assim a partida não deveria ter
continuado.
Quem
é o Sr. Rica Perrone para determinar como eu penso ou como devo agir, a minha
resposta é CLARO QUE SIM, está fora da regra então o fato está
nulo.
Sinto
muito como ser humano de ver tal declaração sua, de ver que existem
humanos que preferem a vitória a qualquer custo ao invés da verdade
e dá honestidade. Com todo respeito, desonesto é você,
confessadamente desonesto.
Ou
tem o Sr. Rica Perrone a capacidade de invadir a mente alheia e saber
como elas pensam, melhor, invade a mente e faz uma avaliação moral
de todos os vascaínos do mundo.
“Eu
não sou contra que o CAP seja investigado e punido caso tenha tido
papel determinante no ocorrido. Mas daí a levar pro campo, pra
tabela, pro resultado do jogo… não.”
Lógico
que você não é contra a punição ao CAP, a vontade de ver a
guilhotina na cabeça alheia é o que interessa, ao final de contas. Isto
nada mais é do que a busca pela punibilidade e não por justiça.
“Muito melhor do que o
desespero em se manter na série A seria repensar o clube e começar
se recusando a tal atitude.”
Existe
uma lei que proíba se fazer os dois? Não consegui compreender qual
a relação excludente entre uma postura e outra, para mim ambas são
possíveis e não excludentes, começo a desconfiar de uso da
dialética erística no seus textos, espero estar enganado, além de
confesso desonesto esportivamente seria desonestidade intelectual.
“Eurico
aprova. Claro que aprova! É a cara do Vasco dele, não a do “novo
Vasco” sugerido e tão bem aceito no discurso de anos atrás.”
Vejamos,
aqui estás a atrelar a má imagem do Sr. Eurico Miranda aos que
possivelmente concordem com o direito de se buscar o cumprimento da
regra do campeonato, em suma, quem concorda com a busca do direito do
clube é euriquista?
Quem
trabalha na Globo é automaticamente sonegador de impostos? O fato de
eu concordar com o posicionamento do Eurico no momento quer dizer que
eu desejo um Vasco com a “cara do Eurico”? Claro que não. Eu não
quero o Eurico de volta, mas concordo com ele neste ponto.
“Cair,
levantar, perder, ganhar. Faz parte.
O
arbitro esperou mais do que devia. É um argumento legal, mas não
moral.”
Não
é um argumento moral? O confesso-desonesto vem agora estabelecer o
que é moral?
Moralmente
vejo o Vasco obrigado e fazer cumprir as regras, moral é desejar ver
o que foi acordado anteriormente ao fato ser cumprido, isto é moral.
A moral não é adaptável a situação, ou se possui ou não se
possui.
A
diretoria não falou vamos jogar e depois veio tentar modificar o
resultado, o posicionamento foi claro desde o início, “não existem
mais condições de jogo”.
“Há
diferença entre o que a lei diz e o que o bom senso sugere. Nós
sabemos, tanto o vascaino (sic) quanto qualquer outro, que isso é
apenas uma atitude desesperada de dar um jeito de ficar na série A.
Não tem nada a ver com principios, valores, zelo pela regra. É só
desespero.”
Quem
estabelece o bom senso? O Sr. Rica Perrone? a Globo que comprou os
direitos de transmissão do campeonato? A diretoria do Vasco? A do
CAP? A CBF?
Não
Sr. Rica Perrone. É para isto que as regras são acordadas
anteriormente aos fatos, e não devem ser retroativas, por que o seu
bom senso ou a falta dele são diferentes do meu bom senso.
“Só
que este Vasco, administrado desta forma, com esse time, se ficar cai
de novo. O que caiu, talvez olhando pra frente e buscando uma nova
direção, não.”
Agora
o Sr. Rica Perrone desfaz o argumento excludente de ou cair e
melhorar ou ficar e continuar na mesma, isto só demonstra que o
argumento era falso e aparentemente colocado para confundir o leitor.
“Qual
é a real vantagem que o Vasco vai tirar em manter tudo como está?”
Não
é vantagem Sr. Rica Perrone é a busca pela justiça, pelo
cumprimento da regra, o dever moral de se fazer cumprir a lei do
jogo, regra que foi estabelecida antes do campeonato, aliás faz anos
que ela existe. Na mente do confesso-desonesto, moral é o não
cumprimento de regras, torço para que a sociedade não se baseie em
sua moral.
“E
qual seria a vantagem se, de fato, a série B trouxesse mudanças e
uma nova perspectiva?”
Agora
o Sr. Rica Perrone volta para o raciocínio excludente de que ou cai
e melhora ou fica e continua na mesma. Agora ele também se vê como
futurólogo, e se cair e não trouxer novas perspectivas? E se não
cair e trouxer novas perspectivas?
E
principalmente essas opções não são excludentes, podem ocorrer
todas as possibilidades, inclusive nada.
“Jogue
a série B. Foi 5×1, não há nada pra contestar, não tem motivo
pro resultado ser revertido.
Seja
enorme, vascaíno. Diga não.”
Agora
ele tenta induzir como o vascaíno deve agir, ele parece desejar influenciar como
você deve pensar, e eu lhe digo como um homem respeitador a regra e
a moral deve agir:
Cumpra-se
a regra, ela existe anteriormente ao fato, a moral está em cumprir
os acordos anteriores e a regra é um acordo anterior.
Seja
imenso vascaíno, como canta o nosso hino. Seja respeitador das
regras, seja moralmente superior. Não se aflija por ser o cidadão
de bem que quer ver a regra cumprida e não aquele que invoca uma
moral destorcida para justificar o descumprimento dela.
Não
é o fato de ser vascaíno, quem me acompanha e me conhece sabe que
teria a mesma postura se fosse o flamengo, fluminense, corinthians ou
palmeiras em questão, isto ao meu ver é moral, pelo menos é nesta
que acredito.
Não estava mais a fim de escrever sobre futebol, mas por respeito ao que a instituição Vasco da Gama fez por este país me senti na obrigação de responder.
Boas colocações, as suas. Que se cumpra as regras!
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