terça-feira, 10 de dezembro de 2013

Resposta de um humilde vascaíno ao Sr. Rica Perrone


Há tempos não escrevo sobre futebol ou sobre a mídia futebolística, porém ao ler a peça de campanha do Sr. Rica Perrone contra o recurso do Vasco me fez momentaneamente voltar a escrever sobre o assunto. Discorro usando de citações:

Não é futebol o tema. No campo, foi 5×1 e não há nenhum argumento aceitável pra reverter ou contestar isso. Fora dele, sempre haverá.”

O dono da verdade, diz que não há qualquer argumento aceitável, ou seja, ele estabelece ponto de partida da discussão, ele irá limitar a discussão como lhe convém a fim de demonstrar aquilo que lhe convém.
O ponto é que não deveria haver futebol, não existia qualquer condição de se haver futebol, seja ela segurança e/ou psicológica. Nenhum ser humano está preparado, ao menos que seja treinado como mariner americano ou um psicopata, para ver tamanha brutalidade e estar em sua condição psicológica normal, pelo menos eu não creio que nos treinos de futebol os jogadores são levados à assistirem cenas daquele tipo e depois vão para o campo treinar.
As pessoas em casa, assistindo pela TV estavam nervosas, estavam fora da normalidade. Durante o jogo os comentários sobre a barbárie foram mais comuns do que sobre os lances, avalie daí os que presenciaram tal coisa in loco.

É direito do Vasco apelar pro STJD e tentar os pontos do jogo. É direito do Vasco tentar o que quiser. É dever do STJD tomar uma decisão baseada no regulamento, o que abre considerável possibilidade do Vasco permanecer na série A.

Mas vascaínos, sejamos honestos. Se tivesse sido 2×1 pro Vasco após a parada, alguém se importaria com segurança no estádio, regulamentos e etc?

Claro que não.”

Sou honesto e lhe respondo com toda tranquilidade, falei durante os 70 minutos que o jogo ficou parado, que não existiam mais condições para o jogo, ele deveria ter sido encerrado e marcada nova data, ou seja lá o que a regra disser. Continuo sendo honesto e segurando a minha afirmação que não deveria ter tido jogo.
Sou honesto e vascaíno ao ponto de lhe dizer que se o resultado fosse favorável ao Vasco, ainda assim a partida não deveria ter continuado.
Quem é o Sr. Rica Perrone para determinar como eu penso ou como devo agir, a minha resposta é CLARO QUE SIM, está fora da regra então o fato está nulo.
Sinto muito como ser humano de ver tal declaração sua, de ver que existem humanos que preferem a vitória a qualquer custo ao invés da verdade e dá honestidade. Com todo respeito, desonesto é você, confessadamente desonesto.
Ou tem o Sr. Rica Perrone a capacidade de invadir a mente alheia e saber como elas pensam, melhor, invade a mente e faz uma avaliação moral de todos os vascaínos do mundo.

Eu não sou contra que o CAP seja investigado e punido caso tenha tido papel determinante no ocorrido. Mas daí a levar pro campo, pra tabela, pro resultado do jogo… não.”

Lógico que você não é contra a punição ao CAP, a vontade de ver a guilhotina na cabeça alheia é o que interessa, ao final de contas. Isto nada mais é do que a busca pela punibilidade e não por justiça.

Muito melhor do que o desespero em se manter na série A seria repensar o clube e começar se recusando a tal atitude.”

Existe uma lei que proíba se fazer os dois? Não consegui compreender qual a relação excludente entre uma postura e outra, para mim ambas são possíveis e não excludentes, começo a desconfiar de uso da dialética erística no seus textos, espero estar enganado, além de confesso desonesto esportivamente seria desonestidade intelectual.

Eurico aprova. Claro que aprova! É a cara do Vasco dele, não a do “novo Vasco” sugerido e tão bem aceito no discurso de anos atrás.”

Vejamos, aqui estás a atrelar a má imagem do Sr. Eurico Miranda aos que possivelmente concordem com o direito de se buscar o cumprimento da regra do campeonato, em suma, quem concorda com a busca do direito do clube é euriquista?
Quem trabalha na Globo é automaticamente sonegador de impostos? O fato de eu concordar com o posicionamento do Eurico no momento quer dizer que eu desejo um Vasco com a “cara do Eurico”? Claro que não. Eu não quero o Eurico de volta, mas concordo com ele neste ponto.

Cair, levantar, perder, ganhar. Faz parte.

O arbitro esperou mais do que devia. É um argumento legal, mas não moral.”

Não é um argumento moral? O confesso-desonesto vem agora estabelecer o que é moral?
Moralmente vejo o Vasco obrigado e fazer cumprir as regras, moral é desejar ver o que foi acordado anteriormente ao fato ser cumprido, isto é moral. A moral não é adaptável a situação, ou se possui ou não se possui.
A diretoria não falou vamos jogar e depois veio tentar modificar o resultado, o posicionamento foi claro desde o início, “não existem mais condições de jogo”.

Há diferença entre o que a lei diz e o que o bom senso sugere. Nós sabemos, tanto o vascaino (sic) quanto qualquer outro, que isso é apenas uma atitude desesperada de dar um jeito de ficar na série A. Não tem nada a ver com principios, valores, zelo pela regra. É só desespero.”

Quem estabelece o bom senso? O Sr. Rica Perrone? a Globo que comprou os direitos de transmissão do campeonato? A diretoria do Vasco? A do CAP? A CBF?
Não Sr. Rica Perrone. É para isto que as regras são acordadas anteriormente aos fatos, e não devem ser retroativas, por que o seu bom senso ou a falta dele são diferentes do meu bom senso.

Só que este Vasco, administrado desta forma, com esse time, se ficar cai de novo. O que caiu, talvez olhando pra frente e buscando uma nova direção, não.”

Agora o Sr. Rica Perrone desfaz o argumento excludente de ou cair e melhorar ou ficar e continuar na mesma, isto só demonstra que o argumento era falso e aparentemente colocado para confundir o leitor.

Qual é a real vantagem que o Vasco vai tirar em manter tudo como está?”

Não é vantagem Sr. Rica Perrone é a busca pela justiça, pelo cumprimento da regra, o dever moral de se fazer cumprir a lei do jogo, regra que foi estabelecida antes do campeonato, aliás faz anos que ela existe. Na mente do confesso-desonesto, moral é o não cumprimento de regras, torço para que a sociedade não se baseie em sua moral.

E qual seria a vantagem se, de fato, a série B trouxesse mudanças e uma nova perspectiva?”

Agora o Sr. Rica Perrone volta para o raciocínio excludente de que ou cai e melhora ou fica e continua na mesma. Agora ele também se vê como futurólogo, e se cair e não trouxer novas perspectivas? E se não cair e trouxer novas perspectivas?
E principalmente essas opções não são excludentes, podem ocorrer todas as possibilidades, inclusive nada.

Jogue a série B. Foi 5×1, não há nada pra contestar, não tem motivo pro resultado ser revertido.

Seja enorme, vascaíno. Diga não.”

Agora ele tenta induzir como o vascaíno deve agir, ele parece desejar influenciar como você deve pensar, e eu lhe digo como um homem respeitador a regra e a moral deve agir:
Cumpra-se a regra, ela existe anteriormente ao fato, a moral está em cumprir os acordos anteriores e a regra é um acordo anterior.
Seja imenso vascaíno, como canta o nosso hino. Seja respeitador das regras, seja moralmente superior. Não se aflija por ser o cidadão de bem que quer ver a regra cumprida e não aquele que invoca uma moral destorcida para justificar o descumprimento dela.
Não é o fato de ser vascaíno, quem me acompanha e me conhece sabe que teria a mesma postura se fosse o flamengo, fluminense, corinthians ou palmeiras em questão, isto ao meu ver é moral, pelo menos é nesta que acredito.

Não estava mais a fim de escrever sobre futebol, mas por respeito ao que a instituição Vasco da Gama fez por este país me senti na obrigação de responder.

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